sábado, 31 de janeiro de 2009

A mão da Rita na pele da madeira.


Candeeiro de madeira de azinheira, 90€
Quando a Rita passa a mão nos objecto que cria, sente-se um arrepio pela pele toda, no corpo todo. Pela forma como diz os nomes das árvores, vulgares para qualquer outra pessoa, fica-se a perceber a seiva que lhe corre nas veias. O Paulo dá a estrutura, às peças, claro!
Hoje a Fonte de Letras está nova e muito bonita. A exposição de Rita e Paulo Tigre inaugura às 17.30h.

sábado, 24 de janeiro de 2009

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Barcelona e Montemor-o-Novo

Paul Strand, Wall Street, New York, 1915

Paul Strand, Restrospectiva 1915 - 1976. Em Barcelona, em exposição desde ontem, 22 de Janeiro, na Fundación Foto Colectania. Em Montemor-o-Novo, na Fonte de Letras, através do catálogo. Este e todos os excelentes catálogos de fotografia desta Fundação estão à venda na livraria. Para quem vive em Montemor torna-se urgente passear por outras paragens como pelas fotos de Paul Strand.
www.colectania.es

sábado, 17 de janeiro de 2009

Turismo Rural com letras

Poesia, muita poesia, mas também arquitectura, pintura, ficção de excelentes escritores, encontram-se em montinhos nas mesas-de-cabeceira dos quartos, nas mesas baixas ao lado dos sofás nas salas, nas mesas dos alpendres ao lado das espreguiçadeiras, por todo o lado no Monte do Chora Cascas. A poucos quilómetros de Montemor-o-Novo, um espaço de turismo rural de excepção que já chegou a suscitar dúvidas se pertenceria à família do escritor montemorense Almeida Faria - tal é a presença dos livros no local! Para um fim-de-semana com letras ou só para olhar.

www.montechoracascas.com
info@montechoracascas.com
(+351) 266 899 690

Monte do Chora Cascas
Apartado 296
7050-013 Montemor-o-Novo/Alentejo
Portugal

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Quando as personagens dos livros visitam as livrarias.

"O actor", personagem enigmático do livro de Sándor Márai, Rebeldes, passou hoje pela Fonte de Letras - só poderia ser ele!

"O actor chegou à cidade no início do Outono... Tinha quarenta e cinco anos, mas dizia trinta e cinco... Era um ser adiposo, com barriga e papada: características raras num dançarino cómico... O público gostava dele, porque, em palco, estava sempre a referir os boatos do lugar... Usava peruca castanho-clara. Ía rua fora com passinhos de ballet, inclusive em pontas. Movia o pesado corpo sobre os dedos, em passos ondulantes e verdadeiramente delicados, mínusculos... Escanhoava a papada num azul claro que ofuscava... Ábel pensava que talvez o actor tivesse um rosto mais, que ele ainda não vira e iria usar nessa noite..."

Quando as personagens fazem destas surpresas os livros são para ler de um fôlego. Principalmente depois de se ter lido As velas ardem até ao fim, A herança de Eszter e A mulher Certa. Sándor Márai, Publicações Dom Quixote.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Na cama não se fala de filosofia.

Mulheres que beijam, mentem, amam, choram, riem, esperam, magoam.
Mentiras de Mulher da russa Liudmila Ulítskaia ou Ela e outras mulheres do brasileiro Ruben Fonseca, em estilos bem diferentes, histórias muito bem contadas de mulheres como Génia, Carlota, Belinha, Helena, Guiomar, Marta...
Ou Ela, que percebeu na carne que "na cama não se fala de filosofia" nem se sita Nietzsche, que disse que a mesma palavra amor significa duas coisas diferentes para o homem e para a mulher.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Clássicos dias de chuva.












Para ficar em casa a ler um livro do princípio ao fim ao som da melhor música do mundo. Que chova sem parar.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

JAZZ COVERS. Fonte de Letras mais underground.

Lamentavelmente só chegou 1. Felizmente chegou 1.
Depois de muitas conversas, vários telefonemas, insistência incansável e atraso considerável, chegou 1 exemplar de Jazz Covers (Taschen) à Fonte de Letras. É pena, porque mesmo antes da apresentação a nível nacional já alguns clientes perguntavam pelo livro. É pena, até porque o livro foi feito a partir da ideia e da fabulosa colecção de discos do português Joaquim Paulo. É pena que todos os amantes de jazz portugueses não possam ter 1 exemplar. Na Fonte de Letras ficará para sempre 1 exemplar para quem quiser consultar, mexer, ouvir! A Fonte de Letras fica assim um bocadinho mais próximo dos clubes de jazz de Nova York, daqueles bem underground onde não se pode fumar mas a sala está sempre cheia de fumo...

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Alegrem-se os céus e a terra.

Os anjos desceram à Fonte e encheram as prateleiras de livros com sons magníficos.
Christmas Oratorio BWV 248, hänssler edition, cd triplo 32,40€.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Talvez a Meryl Streep e o De Niro se cruzem cheios de sacos.

O frio fica lá fora, os bons livros, as agendas, alguns produtos especiais e exclusivos, o melhor chá e café fazem um Feliz Natal na Fonte de Letras.

domingo, 23 de novembro de 2008

Aos fins-de-semana, migas com livros.

Obrigado ao Manuel Azinheirinha (Santiago do Escoural, a 10km de Montemor) por servir deliciosos repastos alentejanos num espaço tão simpático (e sem televisão). Depois das migas com carne de porco preto ou do coelho com aquele fantástico pão frito ou de um passeio pelas várias entradas, os forasteiros passeiam até à Fonte de Letras, num circuito de fim-de-semana.
É sempre bom falar com Mega Ferreira sobre livros e escritores, na sua visita gastronómica regular!

sábado, 22 de novembro de 2008

Livros de filosofia para crianças que dão nós na cabeça dos pais.



Do livro O que é o saber?: É preciso ir à escola para aprender?, És obrigado a ter uma profissão?, Irias à escola se não fosses obrigado a isso? Apetecia-te ser ignorante?
Na contracapa: A colecção "Filosofia para crianças" constitui uma primeira iniciação ao questionamento, dirigida a todas as crianças que fazem perguntas importante sobre si mesmas, sobre a vida e sobre o mundo. Trata-se de uma colecção indispensável para os adultos que lhes desejam oferecer um diálogo aberto, mais do que um conjunto de respostas feitas!
Uma coleção da editora Dinalivro que dá volta à cabeça dos pais.

domingo, 16 de novembro de 2008

Parabéns à Taschen por fazer 25 anos durante vários anos!

A comemoração do 25º aniversário da Taschen já dura há alguns anos e seria bom que continuasse por muitos e longos tempos! Livros excepcionais a preços como 9,99€, é bom que dure por muito tempo. E todas as semanas continuam a chegar novidades surpreendentes. A
Taschen quando nasce é para todos!

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Para uma noite cheia de lua cheia.


As Cidades Invisíveis, Italo Calvino, reedição Teorema, Outubro 2008.
Em noites de lua cheia Montemor é uma cidade assim.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

A outra viagem do elefante.

Ainda os jogos da DJECO. O puzzle em madeira, grande, com animais para pôr e tirar e bincar às selvas mesmo fora do tabuleiro. As crianças inteligentes um dia serão escritores...

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

A brincar, a brincar, a Fonte de Letras já tem os produtos da DJECO! A irresistível marca francesa de jogos didáticos em materiais como madeira e cartão que desenvolvem a imaginação e a criatividade de uma forma divertida. Dominós, puzzles, jogos de cartas, com ilustrações, cores e formas surpreendentes.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Férias de Agosto para ler em qualquer mês do ano - Cesare Pavese.

"Através de breves narrativas, repletas de encantos subtis, Pavese apresenta-nos uma prosa cuidadosa e precisa, num livro que é um inventário dos temas que lhe são mais caros: o mito inocente e selvagem que se revela no campo, a solidão citadina, a memória da infância mítica, as contradições que remetem para os valores primordiais da existência." (Vicente Jorge Silva na contracapa do livro)
1ª edição, 1965, Editora Arcádia, tradução de Ana Hatherly.
2ª edição, Setembro 2008, Quasi Edições, tradução de Ana Hatherly revista pela própria.

Tanto tempo de espera dói.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Chegaram discos novos. E discos eternamente novos.

Passe para ouvir, estes e muitos mais. Dentro da clássica, principalmente a música antiga, e também o jazz e a música étnica. Música para ler ou só para ouvir.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

O Algarve de moças nuas de felicidade a brincar nas ondas e doces figos secos ao sol.

Para quem diz que já deixou de gostar do Algarve é fundamental perder-se na obra de Teixeira-Gomes, o algarvio que foi diplomata em Londres, Presidente da República Portuguesa e logo de seguida exilado em Bougie na Argélia. Numa edição da Imprensa Nacional-Casa da Moeda, saíu o I volume das Obras Completas (Inventário de Junho, Cartas sem Moral Nenhuma e Agosto Azul). Um Algarve solar, de uma frescura erótica ao sabor da babugem das ondas.

sábado, 25 de outubro de 2008

Quais D. Sebastião!

Em Outono de nevoeiro chegaram as agendas com obras de artistas plásticos portugueses. À semelhança do que já se fazia com os nomes estrangeiros vêm pela mão da Oficina do Livro as agendas para 2009 de João Cutileiro, Pedro Proença, Joana Vasconcelos e Júlio Pomar. Já era tempo. Aponte na agenda!

domingo, 19 de outubro de 2008

"A Árvore Generosa" cumpriu-se.

A história do livro A Árvore Generosa (Shel Silverstein) cumpriu-se no Largo do Município, onde fica a Fonte de Letras. Foi há 3 dias. A enorme árvore do largo já não está lá, agora existe só o banco à volta... As pessoas andam desasadas, não sabem onde ficar, onde estar, por que lado seguir, para onde olhar. Olha-se à procura e não se sabe de quê pois não há nada para ver. A luz é muito branca e o vazio é um lugar estranho.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Paixão pelas capas da nova colecção de bolso Leya Biis.

E uma alegria imensa em ver finalmente Almeida Faria editado sem ser naquelas páginas já muito amarelecidas, a cheirar a naftalina e a desfazerem-se, das antigas edições da Caminho. (Almeida Faria nasceu em Montemor-o-Novo, em 1943 - é da terra e é do coração da Fonte de Letras!)
Apetece tirar férias e ler todos os livros da Leya Bis de seguida... A 5,95€ cada.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Horário de Inverno.

De novo a funcionar com o Horário de Inverno: Terça a Sábado das 12h às 20h, Domingo das 12h às 19h; encerra à Segunda-feira. E há delicioso bolo de chocolate.
Ilustração do livro "Lá fora", Ian Beck, Editorial Caminho.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Livros na taberna.

A Taberna do Armando fica na porta ao lado da Fonte de Letras. É lá que ficam as entregas de livros que são feitas antes do meio-dia, porque os vizinhos são simpáticos e o largo é mesmo assim. Às vezes acumulam-se caixas de livros em cima da mesa de tampo de pedra e os homens que jogam às cartas ou bebem em copos pequeninos de vidro grosso vão sabendo os nomes das editoras. São livros que chegam ainda com mais histórias para contar!

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Ainda a tempo de ver a exposição!

Logo à esquerda de quem entra, desenho a tinta da china sobre papel (250cmx160cm), de José Miguel Gervásio, faz parte de "Um certo não sei quê... (Hypnerotomachia Poliphili) - Desenhos Recentes". Outros espalham-se pelas paredes que se seguem. De noite os "bichos" ganham vida, alguns com asas outos com pernas, fazem festas loucas com os livros nas prateleiras. Hoje um deles acordou no chão, talvez por culpa de "O sol Branco", que dorme num banco de madeira ao lado.


"O sol Branco", José Miguel Gervásio, 1997, uma edição & etc.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Um café para a mesa do fundo!

Desta vez a tertúlia é com Platão, Marilyn, Hemingway e Mozart. Tome um café com... é a colecção da Plátano Editora, e agora que o tempo já refresca lá fora sabe muito bem ficar à conversa cá dentro pela tarde fora. "Entrevistas de pura ficção, apesar de serem solidamente fundamentadas em factos biográficos".
Pergunta o entrevistador ao senhor Mozart:
"A tocar não ganharia mais dinheiro?"
"Por vezes. Mas 100 ducados por uma ópera não é nada mau! E agora 50 ducados por um Requiem - fácil!

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Massagens ao ego ou outras.

Sabonetes de glicerina revestidos com lã não transformada feltrada, um projecto do colectivo artístico Colecção B (http://feltroecologico.blogspot.com/). Na Fonte de Letras, 5€, junto aos livros de agricultura biológica.
Ao contrário do processo normal de produção de feltro ou lã, o ecofeltro não é lavado.
E pensar que há rios na Serra da Estrela concessionados a fábricas de lãs para seu uso exclusivo...

terça-feira, 23 de setembro de 2008

On the road again.

De malas aviadas de livros lá vai a Fonte de Letras para mais uma feira! Desta vez para participar na X edição das Palavras Andarilhas, o grande acontecimento organizado pela Biblioteca Municipal de Beja. O convite a algumas livrarias independentes partiu de Joaquim Mestre e a Fonte de Letras, com grande orgulho, lá estará pela primeira vez. De 24 a 28 de Setembro com um programa intensíssimo de actividades ligadas principalmente às histórias e aos seus contadores. Para consultar o programa completo das X Palavras Andarilhas, bem como à ficha de inscrição. Vamos para a festa!

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Oito anos, um dia e algumas histórias de amor.

" Histórias de amor", José Cardoso Pires, 1ª edição - 1952, Os livros das três abelhas

A Fonte de Letras inaugurou no dia 16 de Setembro de 2000. Faz hoje oito anos, um dia e algumas histórias de amor: das verdadeiras, por um cliente, que até já deu um filho; e também das outras, por escritores que se descobriram, pelo trabalho de aprender a conhecer os clientes e saber o que vão escolher, pelas manhãs em que a luz entra pelas janelas e a livraria é a mais bonita do mundo, pela surpresa que é abrir caixas com livros todos os dias, pelos escritores que por aqui passaram e alguns já nos deixaram mas que nos fizeram rir muito, pelas agendas Moleskine que chegam e apetece ficar com uma de cada... E pelos livros que ficam eternamente na lista dos que queremos ler um dia.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

A árvore generosa está morta.


Ainda no passado dia 15 de Junho a Bruaá Editora, a propósito da apresentação do livro "A árvore generosa" de Shel Silverstein, escrevia assim no seu blog:
"Um sábado bem passado ao pé de uma Fonte de Letras
... e por ruas muito promissoras fomos dar à...

... livraria "Fonte de Letras" para apresentar "A árvore generosa". Foi um dia verde em Montemor-o-Novo, na companhia de muita gente que se juntou ao pé de uma árvore, ali em frente, para ouvir a história. Obrigado à Helena Girão e a todos os que lá estiveram. Agradecimento especial ao Diogo, ao Eduardo e ao João, ouvintes atentos que nos ofereceram desenhos que em breve aqui vamos colocar."


Hoje, dia 16 de Setembro, a grande árvore do largo está morta!
Segundo os "vizinhos" a injecção letal foi dada pelas autoridades; razões, alvitram-se várias, como sempre!
Certa, é a grande tristeza de que o largo não voltará a ser o mesmo. Certo, é o facto de a árvore lá estar muito antes de muitos. Certo é o calor que faz todos os Verões neste Alentejo profundo e o facto de a árvore ser porto de abrigo de novos e velhos que aí descansam, brincam ou conversam.
Mais do que nunca o livro "A árvore generosa" da Bruaá Editora faz sentido. O que é muito triste...

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Que terra é esta?

Há quem espere um ano para comprar um livro? De onde virá toda esta gente? A tenda de casamentos onde este ano se realizou a Feira do Livro da Feira da Luz esteve pelas costuras - chegou a ser assustador, mas afinal sempre pacífico! A localização mais central deste ano ajudou e dos muitos que entraram houve poucos que sairam sem um livro - tops, muits tops, claro, e também muito livro infantil. "As feiras" de muitos foram livros e isso é muito curioso.
Que terra é esta? Que País é este?

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Em Setembro, é a Feira de Setembro

Passa-se um ano à espera de seis dias. E todos lá têm a sua barraquinha para armar. Fazem-se discursos, balanços, escrevem-se editoriais, e a banda toca a abrir - a Feira da Luz (ou de Setembro) é um dos grandes momentos da estratégia política da terra! A novidade de maior sucesso apareceu há três anos, é o comboio que apita pela cidade - ainda vila para os mais velhos - e que sobe as ruas íngremes de paralelipípedos a chiar. A Feira do Livro também marca muitos pontos. E este ano apresentam-se as "actividades económicas"! Mas forte, forte, é a corrida (de touros, claro), são os concertos para todos, são os bares e discotecas que se mudam de armas, bagagens e adolescentes para o espaço da Feira e o grande fogo-de-artifício a fechar!
E lá do alto o Canguru Louco avista o castelo sempre a dançar!

sábado, 30 de agosto de 2008

Olá Alface!

Era assim que o Alface escrevia em 2002 para o livro chamado Setembro que a Fonte de Letras publicou a propósito do seu 2º aniversário, e que incluía textos e ilustrações de vários convidados:

Folhas caídas, raízes ao alto
Em Setembro, era a Feira de Setembro: um ano à espera das lindas meninas de Lisboa ou Évora ou Beja e dos seus perfumes inéditos na vila, e dos vestidos esplendorosos delas, e dos seus cabelos enfeitiçantes (aqui vai um adjectivo que em meados de 60 principiaria – coitado – a sua queda inexorável), madeixas a que uma boa esguichadela de laca conferia estatuto de armadura virginal. Havia, quando havia, baile no Club (toca o Pinto ou não toca o Pinto) e as meninas de Lisboa esbanjavam sotaques cosmopolitas e não traziam mães na bagagem. Alguns de nós, da fogosa mocidade montemorense, ainda usávamos calções apesar das juvenis pernas peludas, e quero querer que tal incongruência haja calado fundo na alma dançante das desejáveis meninas de Lisboa a quem as amigas da terra concediam ciumenta liberdade vigiada.
Havia touradas na Feira de Setembro, à época um prazer unânime, e os corações da nossas raparigas enlanguesciam com o aparato equestre do Mestre Baptista, com o garbo desafiador dos forcados locais (eh toiro lindo) e quero imaginá-la à noite sonhando eroticamente com touros desembolados e demais bravuras da idade.
Na Feira, motor popular, procurávamos os carrinhos de choque e mui solicitados eram então os muitos filhos do presidente Vacas, que recebiam dos feirantes bilhetes à borla e que nesses dias se faziam rogados. Teremos ido ao circo Mariano, casa de milagres que remetia para Fátima, e ríamos com um palhaço inevitavelmente imitando o Cantinflas, e chegámos a ver o celebrado ilusionista conde Aguilar, e muito burro velho vimos aguardando as dentuças amarguradas de tigres sonolentos e panteras insones. E depois espiávamos as acrobatas do arame dado constar poderem elas ser mulheres de cativar fácil ainda que tal tentação se situasse fora das nossas esqueléticas semanas. Obliquávamos, por isso, na direcção mais módica das expostas tendeiras do tiro ao alvo e da seta no ás de paus. Alguns de nós, felizardos, teremos conhecido aquela pobre carne comercial (vai um tirinho?). Mas já passou. Anos houve, raros e cheios, com gincanas de carros em piruetas de pó no campo da bola (o Lampreia era herói), e concursos de hípicos obstáculos onde bairristicamente torcíamos pelos irmãos Malta da Costa (Emílio, Filipe e Manel?) a quem copiávamos cavalgando em casa cabos de vassoura e criadas mais robustas.
E anos houve, raros, com quermesse no jardim público e barraquinhas de pré-tias generosas, e apostaria que uma noite descortinei por lá o brilhante empastado cabelo de Carlos Ramos e sua voz rouca amestrada.
Era Setembro. Lembro: amoras, uvas, figos e gamboas roubadas à ida e vinda da Pintada ou do Pego do Poço; Lerpa noctívaga na Pedrista, king vespertino na frescura no Rádio Cine, incansáveis desafios no Rossio (muda aos 6, acaba aos 12), hóquei patinado à sombra de Adrião e Livramento no rudimentar ring lá de casa, sprints ciqulísticos à pala do Corvo, do Peixoto e do Perna Coelho, épicos cinco niques e saltos kamikaze na inteira-caganeira, fisgas de precisão futurista nas muralhas do castelo.
E, aos domingos, jogos do ‘nião (U-ni-ão-U-ni-ão) com o Rubira feito seta apontada à baliza adversa e o espanholito Vinueza, esse florentino do castigo máximo. Ou o Pascoal, o Quim, o Gatinho, o Frazão, que nos cumprimentavam na rua a caminho de uns torresmos e passarinhos fritos no Daniel Voltinhas.
Com Setembro, terceiro dos 3 enormes meses das férias grandes, vinha em cúpula essa felicidade redonda de ler Eça ou Aquilino ou Camilo ou cabazadas de FBIs no quarto semi-obcurecido pelas semi-serradas madeiras das janelas. E o gozo de engolir o Fúria e o Bonanza (ave, Joe Pequeno) no preto e branco dos catatónicos televisores das sociedades recreativas. E a maravilha de mergulhar nas esplanada do Monte Alentejano e ver o nocturno écran e o céu estrelado encherem-se das lágrimas de Miguel Strogoff, da guedelha aparada de Sansão, do tiroteio planetário de Yul Bryner, na gritaria pirómana de Tarzan, da coragem fundadora de Kirk Douglas (I’m Spartacus). E no céu planarem as mamas estrondosas de Sofia Lauren, os gorjeios salpicantes de Marisol, os langores desgraçados de Sissi, os desatinos canoros de Joselito.
Em fundo, ao fundo, alguém trabalha a terra, alguém governa o sangue da terra enquanto o meu pai passeia olhos de fim de tarde pelos amores-perfeitos do jardim e eu me divirto a dar banho ao cão e a minha mãe ciranda pela casa toda. Setembro está quase a acabar, Setembro vai recomeçar.

Alface

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Ainda os livros de bolso.


Há 4 ou 5 anos, a ideia pareceu divertida e com bastante propósito. E a Fonte de Letras avançou. A Praia da Comporta, a mais próximo de Montemor, foi a escolhida e todos os Domingos de Agosto, a partir das 9h da manhã, lá estava montada uma elegante banca com uma exemplar selecção de livros de bolso! Bronzeadores, revistas e livros de quadradinhos, não, não se vendia ali e os poucos veraneantes que se aproximavam, lamentavam. Para todos os outros que enchiam a praia de Domingo os livros e as livreiras eram claramente invisíveis. Não fosse a excelente menção de Francisco José Viegas num dos seus blogues (imagine-se que vai à praia no “domingão”!), a experiência teria sido a ver navios. Valeram ainda os banhos à hora do fechar da praia, o melhor de qualquer Verão.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

- "Mas o Gógol, só com as traduções de Nina e Filipe Guerra!"

- "E estas são, de Nina Guerra e Filipe Guerra, na Colecção BI, de bolso!"
- "Ah! Fantástico!"
Parece que é desta, os livros de bolso estão a pegar, é preciso é fazê-los com qualidade. A Colecção BI (Assírio & Alvim, Relógio d'Água e Cotovia) puxou pelo conceito e agora outras editoras aproveitam o fôlego - a Bertrand começou a sua colecção de bolso e a Leya apresenta em Setembro grandes novidades (leia-se Leya Bis).
Os clientes são realmente exigentes, seja com as traduções, a apresentação ou a própria estratégia.
São ideias de bolso que merecem boas ideias.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Festival Escrita na Paisagem amanhã em Montemor.

Cine-concerto anima noites de fim de Agosto!
O Festival Escrita na Paisagem (festival de performance e artes da terra) encerra a sua programação de Agosto com o espectáculo de Kubik sobre o filme A felicidade de Medvedkine.

Olhar satírico e risonho sobre a casa (temática central da edição deste ano do Festival), da autoria do exemplar, ainda que amplamente desconhecido, realizador russo Alexandre Medvedkine (1900-1989), A felicidade (1934) contando-nos a estória de uma família de camponeses da Rússia czarista tão pobre que até os ladrões lhes dão esmola. Em busca da felicidade, o camponês sai de casa e parece encontrá-la quando acha uma carteira cheia de dinheiro. Com o achado compra um cavalo e melhora substancialmente a colheita, mas depressa se vê roubado por todos os protagonistas da velha ordem social pré-revolucionária: padres e freiras, patrões, ladrões, polícias e militares, todos reclamam o seu quinhão. Só depois da revolução bolchevique (1917) e de alguns episódios épicos a felicidade chega, num percurso marcado por constantes gags e um regresso a casa redentor.

Kubik (Victor Afonso), jovem compositor português galardoado em 2005 com o Prémio Público e que conta já com vários discos editados e um vasto leque de concertos nacionais e internacionais, fala-nos assim da sua abordagem ao desafio que lhe foi lançado pelo Festival: «Pretendi que houvesse uma relação dinâmica entre a imagem e a música, recorrendo a múltiplas sonoridades, texturas, ambientes e estilos musicais (com programações electrónicas e instrumentos avulsos - concertina, guitarra eléctrica, harmónica, flautas, xilofone, percussão).»

Auditório do Parque Urbano, Montemor-o-Novo 26 de Agosto, 21h 30
(Texto retirado do Programa do Festival)